MINIBIOGRAFIA DE AIDA SERDAN

MINIBIOGRAFIA
AIDA SERDAN
Aida de Jesus Morgado, Aida Serdan, nascida em Quintas de Martim Tirado, Tras-os-Montes, Portugal, em 21/10/1945.
Quando nasci já tinha uma irmã, a Clorinda e alguns anos depois veio o meu irmão Antonio Augusto.
VINDA AO BRASIL.
Meu pai veio primeiro e foi morar em Cajamar/SP, para trabalhar na estrada de ferro.
Um ano depois ele mandou uma carta de chamada. Eu, minha mãe, irmã e meu irmão viemos para o Brasil em 1953 e fomos para Cajamar ficar juntos do meu pai e alguns parentes que lá estavam, porem a minha mãe não acostumou e menos de um ano depois voltamos a Portugal, meu pai continuou no Brasil.
Meu pai trabalhava muito, como aliás faziam todos os portuguêses que para cá vinham, conseguiu juntar dinheiro e junto com outro parente entraram numa sociedade em um posto de gasolina na Vila Guilherme, em São Paulo, Capital, onde vieram morar.
Em Portugal levavamos a vida como todos os poucos que ainda lá estavam, minha mãe ia para a roça e nós crianças iamos para a escola, quando em 1957 recebemos um pedido de meu pai, para que voltássemos ao Brasil e eu já tinha 12 anos.
Voltamos ao Brasil e como da primeira vez, de navio, que levava em média 14 a 15 dias de viagem.
Viemos direto para a Vila Guilherme onde meu pai já estava e fomos morar com ele em uma casa num quintal com mais moradias.
A minha procupação e dos meus irmãos, era conseguirmos nossa matricula, para terminarmos nossos estudos que, descobrimos que se chamava primário e em seguida colegial. Nosso mêdo era saber como seriamos recebidos pelos colegas. Nessa época não entendiamos como podia, aqui no Brasil, estudarmos a lingua portuguêsa e porque era tão diferente da nossa.
O casal brasileiro, dono das casas, Sr. David e Dona Maria eram bem simpaticos e gostaram muito de mim, mais do que dos meus irmãos, tanto que queriam ma adotar como filha, pois não tinham erdeiros e isso me encorajou a pedir emprego de doméstica na casa deles pois já eram bem idosos e eu tinha que trabalhar para ajudar meu pai.
Apesar de miudinha consegui emprego e fui morar com eles. Onde fiquei 2 anos e meio.
Apesar de ser apenas uma empregada o casal de idosos me tratavam como filha.
Comecei a ajudar meu pai, que apesar de ser um dos sócios, lavava e abastecia carros para diminuir os gastos do posto.
Você á de entender que isso foi a 60 anos atrás, os postos de gasolina não eram rendosos como hoje.
O meu 2º emprego também foi de domestica, com o casal Sr. Frade e Dona Maria, trabalhei com eles dos 14 aos 22 anos.
O meu 3º emprego, já com 22 anos foi como caixa do Banco Português do Brasil, onde entrei em 1967 após um ano trabalhando como caixa fui promovida a tesouria, o Banco Itaú comprou o Banco Portugues em 1972 e eu fui trabalhar no Banco Itau como tesoureira, ganhava muito bem e era muito feliz.
Nessa epoca meu pai que já era socio minoritário em dois postos de gasolina, desfez a sociedade deixou para os dois socios o posto maior e ficou com o menor na Vila Maria, Av Nadir Dias de Figueiredo, conhecida na epoca como Av. do Valetão por passar um corrego no meio dela e, o posto claro foi batizado de Posto Valetão.
Até então eu estava levando uma vida de felicidade.
Ser tesoureira do Banco Itaú era conhecer todos os granfinos e endinheirados do bairro, era um cargo de muito prestigio e muita confiança.
O Posto Valetão ainda era pouco conhecido e passavam poucos carros pelo local e meu pai, coitado, analfabeto precisava de ajuda, alguem de confiança, então pediu-me para eu sair do banco para ajuda-lo.
Foi então que em 1973, larguei a profissão que tanto gostava, tesoureira do Banco Itaú, para ser caixa, frentista, compradora, manobrista e cobradora do Posto Valetão, chorei muito, pois senti que estava jogando meu futuro fora.
Passaram-se dois anos e ai conheci o Michel, que era freguês e muito amigo do meu pai.
Ele estava desquitado, não havia divorcio no Brasil e no dia 8/07/1977 nos casamos, pela Igreja Catolica Brasileira.
Naquele tempo a luta livre era só hoby o Michel, para ganhar dinheiro tinha um caminhão trabalhando em uma transportadora, depois montamos uma casa de carnes na Av. 9 de julho e vendiamos muitos frangos para o restaurante da Fundação Getulio Vargas e nos sábados a noite e domingos viajava com uma equipe de luta livre.
Tivemos varios comercios, discoteca, oficina de costura, pizzaria, etc.
De tanto insistir, em abril de 1986 entramos com o Gigantes do Ringue na Rede Record. Tinhamos vendido a pizzaria e ja estavamos vivendo da luta livre.
Foi então que montamos uma academia na rua San Gennaro na Mooca.
O Gigantes do Ringue entrou na Record no lugar do Faustão e seu Perdidos na Noite, explodiu.
Lutadores de todo o Brasil se apresentavam para lutar, chegamos a ter 60 lutaadores e uns 400 alunos frequentando as aulas de luta livre.
Eu ajudava em tudo que podia e percebi que todos tinham dificuldade de encontrar roupas de luta,o que tinha era só o macaquinho, roupa de lutadores da Grego Romana ou luta olímpica.
Eu passei a fabricar roupas para os lutadores do Gigantes do Ringue e alunos.
Trabalhei muito, muito, mas eu sabia que o Michel precisava de mim.
Quando começamos na Record, já tinhamos o nosso filho, Cassiano, criança ainda, levaaaaado, estava com o femur quebrado pois tinha sido atropelado.
Hoje o Cassiano, já com 38 anos mora na Irelandia, em Dublin com a minha nora a Monique e os meus ntos gemeos Michel e Bernardo.
Já fiz tudo o que precisava fazer na vida e agora aos 71 anos,, só tenho um sonho e eu sei que vou realizar. Viajar até a Irelandia para ver meu filho, minha nora e meus netos, da Irelandia quero ir até Portugal, junto com o Michel. Quero mostrar para ele a casinha de pedra onde nasci e conhecer meus parentes, que ainda moram lá.
Depois, depois, seja o que Deus quizer!
DEUS já me deu o passado e o presente, mas o futuro só ele pertence.Aida Serdan

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