“Afinal, De Quem é o Orgulho?” – by Michel Serdan #95

As pessoas passam a vida (eu me incluo nessa lista) fazendo o que gostam. São bem sucedidos em suas profissões e isso os enchem de orgulho. Eles escutam as pessoas comentarem com suas esposas e com seu filhos. Esses elogios os deixam mais e mais orgulhosos.

Vou ser mais direto!

Um dia você cai na real e se pergunta: “Sou egoísta, tudo o que faço é para mim, para ficar mais orgulhoso de mim, agora eu quero fazer algo que de orgulho ao meu filho”.

Vou tentar explicar… Meu pai antes de morrer, tinha avícolas, vendia frangos. Antes, bem antes, quando eu era criança ele era marceneiro com dom para trabalhos manuais. Se ele tivesse nas mãos alem de um pedaço de madeira, uma plaina, grosa e um formão, transformava aquele pedaço de madeira num objeto de arte. Ele ficava muito orgulhoso, eu também, mas por ele, por mim aquilo não significava nada.

Pelo amor de Deus, entenderam?

Porque estou dizendo isso?!? Há vários dias venho pensando: O que fiz na vida para meu filho se sentir orgulhoso? Oras, eu fiz grandes lutas, muitos comerciais… E aí esta o “X” da questão… Tudo o que fiz foi pra mim, eu nunca pensei: “será que ele vai ficar orgulhoso?!”, eu só pensei em mim no meu orgulho. “E se ele não liga para luta, não liga para comerciais, não está nem aí. Ele pode ter orgulho de mim, por mim, só isso”. Eu sempre fiz tudo para mim, nunca fiz nada mesmo que não gostasse, mas que desse orgulho para ele.

Quando ele se mudou com a família para a Irlanda, deixou de presente para mim a sua moto novinha, ele sabia que o meu sonho era pilotar uma moto, mas a vida passou muito rápido para mim. Eu nunca tinha andado nem na garupa de uma moto. Todos os dias passava um pano na Ténéré preta e pensava, “Ele iria ficar muito orgulhoso se eu aprendesse a pilotá-la”. Um dia, inocente falei: – “Vou andar!”… Levei um tombo, arranquei o tampo dos dois joelhos. Foi então que aos 72 anos entrei na Auto-Moto-Escola, e depois de 30 aulas peguei a minha carta. Troquei a Ténéré por uma Honda Shadow 600cc, e a primeira coisa foi filmar e mandar pelo Facebook eu pilotando a moto.

Sei que ele ficou orgulhoso, pois isso eu estava fazendo por ele. Mas eu queria que ele ficasse mais do que orgulhoso, afinal, qualquer mané pilota uma moto. Pesquisei e descobri… Não tem ninguém no mundo que, aos 72 anos, entrou numa Auto Escola, aprendeu a pilotar do zero, tirou a carta e hoje pilota por aí!

Escrevi sobre isso ao RankBrasil e ao Guinness Book sobre este meu record. RankBrasil respondeu que não. Como perguntei porque, pediram-me que respeitasse as normas da empresa. Só isso! Queria ver meu filho orgulhoso pois tudo partiu dele. Eu também iria sentir orgulho ao ver meu filho orgulhoso. Eu pergunto: – “Preciso pagar para ser incluído no livro dos records???”. Mas se o problema for esse, então não interessa, porque conheço meu filho, se eu pagar ele não ficará orgulhoso, nem eu!

Tchau!

MOTO 1 003

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