“A Viagem Inesquecível – Parte 2” – by Michel Serdan #94

Fizemos 5 noitadas na grande feira agropecuária de Belém do Para. Hoje não sei, quando lá estive os dois maiores eventos, que mobilizavam todo o Estado, eram a Feira e o Círio de Nazaré. Existem coisas interessantes no Pará, mas principalmente no Amapá, na Cidade de Macapá, onde passa a linha imaginária do “Trópico de Capricórnio”, que divide o globo terrestre ao meio. Antigamente tinha uma marcação onde os turistas tiravam fotos com um pé de um lado do mundo e o outro pé do outro lado (eu tenho foto lá). Hoje tem um campo de futebol e o meio do campo é exatamente onde passa a linha do Trópico, ou seja o meio do campo é no meio do mundo.

No quinto e ultimo show na feira de Belém, ao término fomos todos para a churrascaria no centro, comemos e como já havíamos feito nas outras noites, fomos para o hotel. Naquela noite, havia lutado com o Cangaceiro e parecia que tinha passado um trator sobre meu corpo. Só queria um banho e cama. Acordei com batidas na porta. Irritado por não me deixarem dormir, olhei para o relógio, levei um susto, já eram quase 9h00 da manhã, corri para abrir a porta. Deparei-me com os olhares assustados do Cangaceiro, capitão da equipe, e outro lutador que foram atropelando as palavras: – “O Diego e o Kid Búfalo sumiram, não dormiram no hotel e ninguém sabe deles”.

Fomos todos a rua em busca de informações. Após uma hora mais ou menos, alguém da equipe de buscas chegou dizendo que tinham visto dois lutadores no recinto da feira. Estranhei porque a feira parava tudo as 3h00 da manhã. Mas corremos para lá. Ao adentrarmos no recinto já os vimos, sentados, as cabeças apoiadas nos braços que repousavam sobre a mesinha, e em frente, uma barraca de lanches e bebidas: Dormiam! O dono com uma cara terrível, com um 38 sobre o balcão a vigiá-los. Eu nem olhei para os dois, fui falar com o dono enquanto o Cangaceiro chamava-os de “cornos”, aliás, esse era o nome mais feio que o Cangaceiro falava, mas, chamava todo mundo de corno, menos eu, claro, ele tinha medo da Aida. (risos)

Voltando ao assunto… Descobri pelo dono, mas já tinha visto sobre a mesa alguns pratinhos e várias garrafas de cerveja. (cerveja Cérpa, vejam só!). Perguntei quanto era, paguei e juntei-me ao grupo que já estava indo embora, e haja gozação. Os dois eram os que mais aprontavam no grupo, eram terríveis. Os dois “pão-duros” se convidaram para irem até a feira, cada um pensando que o outro tinha dinheiro. Na hora de pagar, nada. E ainda dizem que o pessoal daquele tempo não sentia falta de um celular, porque não existia. Eles disseram que o dono do bar ameaçou mandar bala se levantassem da cadeira!

Tchau pessoal.

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