“As Freiras do Busão” – by Michel Serdan #92

Se você não tem o que fazer, continue lendo, acho que irá gostar. Só que desta vez não irei citar nome de ninguém. O cara, o protagonista desta história, além de lutador, é da Gaviões e eu sou “bambi” assumido. Quando digo que sou “bambi”, quer dizer São Paulino, não imaginem outra coisa… Se bem que o Gavião acima citado também não deve ter penas mais, está velho que nem eu.

Lá vinha eu de Porto Alegre com mais 4 companheiros. Tinhamos ido lutar para o empresário Moacir Dorneles na televisão de lá, naquele tempo ainda não existia a “Rede” de Televisão, então viajamos muito e era tudo ao vivo. Nós vinhamos de ônibus leito da Pluma muito chique e confortável, inclusive com Rodomoças para servir café, chá e biscoitos. Era só pedir. aliás, o funcionário da empresa Pluma que contratava as Rodomoças tinha o gosto apurado, eram só mulheres bonitas. Quem viaja de ônibus leito sabe que eles não fazem paradas a noite e até a troca de motoristas é com o ônibus em movimento.

O dia já clareava quando percebi que o busão entrou em direção a Registro já no estado de São Paulo. Todo mundo acordado e percebendo que um passageiro desceu. Percebi também que lá na frente viajavam três freiras. O ônibus parou em um restaurante, o motorista disse: – “15 minutos”. Todos se levantaram e começaram a sair, as Rodomoças colocaram as garrafas térmicas nas bolsas apropriadas e esperavam o último passageiro para também descerem. As freiras continuaram no busão.

Na volta percebi que nosso lutador-protagonista, da Gaviões da Fiel, voltava carregando as bolsas com as garrafas térmicas, e as Rodomoças (que eram duas) caminhavam ao seu lado. Todos riam muito.

Acho melhor chamar a nosso lutador, daqui para a frente de “Mané”, porque é um mané mesmo e eu acho que ele não lê minhas histórias, então estou salvo.

O ônibus já estava na BR-116 quando percebi que o mané ia no banco de cada lutador e falava algo baixinho. Esperei, chegou e cochichou em meu ouvido: – “Não toma café”. Assim como todos os lutadores analisei: Esse mané vai aprontar! Fiquei na minha. Passados uns 10 minutos ele se levantou, pediu licença às Rodomoças, pegou uma das garrafas e os copos plásticos e passou a oferecer café a todos, as freiras não tinham descido então aceitaram, claro. Tendo oferecido café a todos voltou a sentar e a noticia começou a correr entre os lutadores: O mané colocou um monte de “bolinha” texamil (aquilo que os carreteiros tomam para ficarem ligados). Resumindo: Quando chegamos na Rodoviária de São Paulo, as freiras, em pé, viradas para os passageiros cantavam: – “Louvando a Maria de São Gabriel!”. Todos acompanhavam, menos nós, é claro!

Abraços!!!

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