“Complexo Prisional do Carandiru” – by Michel Serdan #90

E la vamos nós, a equipe Gigantes do Ringue para mais um evento no Complexo do Carandiru. Eu já tinha ido muitas vezes como convidado, mas quando aquelas portas imensas de aço fechavam atrás de mim, corria um suor frio pela minha espinha e minhas pernas só firmavam quando via rostos conhecidos dos agentes, principalmente do Edinho, parente do infelizmente já falecido, Campeão Português e também Campeão Brasileiro, o Carrasco Belo (a minha amiga Silvana, filha do Belo, poderá confirmar se o nome dele era mesmo Edinho e se era tio dela, cunhado do Belo).

Onde é que eu estava mesmo?!
Ah sim…

Eu era convidado VIP do diretor Dr. Pedroza, infelizmente também já foi para o outro plano. Eu sei que o lutador Carlos Sá está rindo, mas tenho certeza de que ele nunca lá esteve e, não é que não merecesse. Nesse dia, como eu sempre fazia, acompanhava a entrega dos documentos pelos lutadores ao agente encarregado e se dirigiam para a segunda porta, que já não aterrorizava tanto quando fechava.

Chegou a vez do último… Romerito… Sempre ele, esqueceu os documentos.
Depois de muito “põe pra fora, não põe pra fora”, foram buscar o responsável, o Edinho que autorizou a entrada dele. Romerito também passou pela segunda porta.
O show foi realizado, os detentos adoraram o Índio Comanche. Depois do show, almoço no restaurante com o Dr. Pedroza.

O que aconteceu na saída, foi hilário! Todos os lutadores acham que fui eu que armei, mas juro que não foi, eu não faço isso!

Voltam a abrir a segunda porta, agora de dentro para fora, era a primeira. Vão passando todos os lutadores. O Romerito era o último, como estava sem documentos, para não atrapalhar a fila.
Meu Deus, todos os agentes armados e desconhecidos, os outros lutadores já haviam saído pela primeira porta, e eu estava escondido. Romerito estava sozinho, sem documentos, dentro do Carandiru!

Romerito não tinha pinta de lutador, era ou é não sei, baixinho e gordinho. Quando ele falou que estava junto com os lutadores e que o Edinho havia deixado entrar sem documentos, os agentes mediram-no, olharam um para o outro e começaram a rir. O chefe da segurança falou: – “Que é isso, vagabundo, querendo sair junto com os lutadores, não adianta gritar o nome do Edinho, ele saiu de férias com a equipe dele. Coloquem o vagabundo na solitária, em 15 dias ele aprende”. Ele gritava, esperneava, chorava. Claro que ao abrirem a porta de dentro, lá estava Edinho e sua equipe. Precisou de uns 10 minutos até todos pararem de rir. Romerito nunca mais falou comigo, mas continuo jurando que não fui eu que armei!

Tchau gente.

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