“Nem Todos Somos Iguais” – by Michel Serdan #88

Hoje vou contar uma história e dar nome aos personagens envolvidos, até porque não vou denegrir ninguém. Na época, fiquei com muita raiva do lutador que arrumou toda a confusão, hoje acho que foi engraçada. Acredito que todos os personagens estão vivos, embora faça muito tempo que não ouço falar o nome de nenhum deles, exatamente o causador do imbróglio.

Você meu amigo, não irá rir desta história, portanto se tiver algo mais importante para fazer, agora é a hora.

Tudo começou quando alguns lutadores que também não tinham o que fazer, e, eu me incluo na lista, jogavam conversa fora dentro do escritório da Academia na San Gennaro, bem debaixo da placa fixada na parede: “Se não tens o que fazer, não o faças aqui”. O lutador Romerito dizia que qualquer lutador, independente do nome, tamanho e peso, podia fazer luta final de uma programação. Coisa que eu discordei, até porque ele queria (eu senti isso) me atingir. Retruquei dizendo: – “Você esta certo, Romerito, fazer a luta final não depende do tamanho e nem do peso do lutador, depende do nome sim, depende também do carisma do lutador, a luta final é muito importante, o povo tem que sair do local satisfeito e você não tem tamanho nem peso e muito menos carisma, portanto não poderá fazer nunca uma luta final”. A discussão rolou feia, não lembro bem, mas acho que todos eram contra ele. Foi aí que o segundo personagem falou ao Romerito: – “Eu tenho um show daqui duas semanas e como você pediu vou levá-lo, mas jamais deixarei você fazer a luta final”. Quem disse essas palavras foi o veterano lutador, meu amigo pessoal Alcebíades de França Neto, o Satã, que tinha um ônibus e autorização para usar os lutadores da base em seus shows, a maioria em circos.

Com o saco cheio da discussão e mais cheio ainda por causa do tal Romerito, perguntei ao Satã e ele respondeu que o show era na cidade de Itapevi, no Ginásio de Esportes. Foi então que tive uma ideia e perguntei ao Romerito com quem ele queria lutar em Itapevi. Ele respondeu: – “Com o Rastafaris“. Um negrão forte, musculoso, careca e que entrava no ringue cheio de ouro (corrente, pulseiras, anéis). Falei então para felicidade do Satã: – “Anuncie a luta final entre Romerito x Rastafaris e eu faço a semi-final com o Nocaute Jack, e não precisa pagar cachê para nós”.

Tudo favorável para o show, a noite agradável e o Ginásio de Esportes lotado. Foi anunciada a 4ª luta, eu nunca tinha lutado em Itapevi, o povo enlouqueceu à minha entrada e a de Nocaute Jack. Eu usei toda a minha experiencia e o Nocaute tudo o que sabia inclusive usando seu maldito cinturão de couro… LUTÃO! Conseguimos revoltar o publico que começou a atirar cadeiras em Nocaute Jack. Final de luta. O povo todo se retirando e o apresentador gritando que ainda tinha mais uma luta. Não adiantou!

Resumo da ópera: Senti pena do Rastafaris, porque logo que iniciou o combate, uns 30 bêbados que restaram, enxotavam os dois e mandavam embora.
É por isso que eu digo: – “Cada um na sua, não somos todos iguais”.

JORNALISTA GIGANTES

Deixe uma resposta